Por Priscila Silva

As cabeças pensantes? Imagem do Pinterest
Um os maiores nomes da filosofia contemporânea faleceu em 09 de janeiro de 2017, deixando para nós um grande legado em obras que refletem e discutem muito bem, e de forma muito lúcida, as nossas relações interpessoais e mesmo de convivência em sociedade.
Zygmunt Bauman desvendou como ninguém o homem e a sociedade pós-moderna, mostrando-nos o que temos de melhor e de pior em nossas relações com a modernidade. Neste texto, gostaria de discutir com nossos leitores um pouco sobre as ideias de Bauman relacionadas à cultura e ao consumismo.
Todos que já ouviram falar de Bauman conhecem um pouco o conceito de liquidez presente em suas obras.
A chamada modernidade líquida remete, portanto, à rapidez com que o progresso toma nossa época e nossa sociedade, sendo tempos em que o ultrapassado não leva décadas, mas está logo ali, batendo à porta no minuto imediatamente posterior, já expulso pela última novidade do momento. Isto reflete diretamente em nossa cultura.
Em “A cultura no mundo líquido moderno”, Bauman nos diz que a cultura hoje se resume a uma grande loja de departamentos, uma Megastore, cuja função seria “seduzir” clientes e torná-los consumidores desta cultura. Exagero? Talvez não, se pensarmos o quanto os produtos culturais possuem um público consumidor pré- determinado pelo mercado, e pessoas “qualificadas” para certificar o valor de tal obra, tornando-a um objeto de consumo valorizado ou simplesmente desprezado pelo não reconhecimento enquanto produto cultural de qualidade. Nas prateleiras de nossas atuais megastores estão os Best-sellers com maior divulgação, as músicas mais populares, os artistas melhor avaliados. A “arte marginal” continua à margem, até que haja um interesse econômico em sua propagação e divulgação. A escalada até que se consiga obter uma chance e entrar no grande circuito cultural é árdua. Se o termo “cultura” não cabe em uma definição por ser tudo o que se refere a um povo, uma região, ou mesmo uma etnia, em tempos de modernidade líquida, a cultura é selecionada e propagada conforme o interesse em grupos sociais e classificada em grau de importância para um determinado público.
Perguntamo-nos, portanto, assim como Bauman, se a cultura sobreviverá à desvalorização da arte como expressão do ser. É difícil saber a resposta, porém, enquanto houver artistas que lutem pelo reconhecimento de seus trabalhos enquanto arte, e não enquanto mercadorias vendáveis; e enquanto houver o engajamento por parte de associações e pessoas interessadas em uma cultura livre das amarras do capitalismo (pelo menos em sua concepção), a cultura sobreviverá. Talvez marginalmente, talvez timidamente em feiras de produção independente, mas o certo é que há um “público” que não se deixa seduzir pelo mercado, mas sim pelo verdadeiro valor cultural de um produto como expressão mais pura do ser humano que o criou.








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Escrita Pulsante e Bauman. ❤
Adorei o artigo. Muitos parabéns!