Por Michelle Mendonça

Foto : Michelle Mendonça
É aqui que mora o impassível cinza
É por aqui que escorre
Violência, calada, porém viva
Incendeia seus olhos lacrimejantes
É aqui que as ruas são amareladas dessa luz de anemia
É pra você que escrevo quando vejo dormir nas marquises, nas praças nos bancos a prova de mendigo em pé. É aqui que privatizaram seus ideais
Para serem vendidos na notícia de jornal sangrento
Das seis
Das oito
Das nove
É aqui onde as baratas se encontram e vomitam ratos
Enquanto se aconchegam em seus pés
De fuligem
Delírio de néon
Das vias
Descoberta
Uma vida
Assim medida
Que dizem
Para você um não-lugar
O limiar entre a existência que grita
A existência que Cala.







